O Projeto do Parque da Juta consolida a preservação de uma reserva natural de 54537.90m² remanescentes da Mata Atlântica, com a presença de duas nascentes, em meio a um contexto de pressão imobiliária e expansão das ocupações informais para dentro das áreas de proteção ambiental.
Mais do que isolar a mata, trata-se de oferecê-la para a fruição pública por meio de uma estratégia de governança coletiva: um conjunto de percursos elevados e mirantes, associados a equipamentos de lazer e apoio para a população, integrados à rede de caminhos presentes nas imediações.
Articulações
Para reverter o isolamento provocado pelas ocupações perimetrais, que relegaram o grotão a uma condição de “fundo” das casas voltadas para o sistema viário, o projeto previu a construção de três acessos que articulam as extremidades do parque e consolidam os antigos “atalhos” presentes no interior da mata.
Na extremidade Norte, o acesso pela Rua André Thevet articula uma série de conjuntos habitacionais, e a fábrica de Cultura de Sapopemba com o caminho principal do Parque junto à cabeceira da grota.
No setor Oeste, a passarela atravessa o córrego para integrar as ocupações situadas na outra margem, a partir de um pequeno largo de acesso situado junto à Rua Luca Conforti.
A extremidade Sul do Parque é arrematada com uma pequena praça, organizada pelo edifício da administração e dos sanitários. O seu desenho permitiu a inserção de uma travessia pública de pedestres, permanentemente aberta, que permite articular os setores Leste e Oeste do bairro de forma independente dos horários de funcionamento do Parque.
Percursos elevados
Situados na encosta Leste do vale, os caminhos elevados que articulam esses três acessos tocam a encosta somente em alguns trechos, permitindo a permanência das árvores e a manutenção do fluxo natural das águas, com intervenções topográficas mínimas. Este percurso, que vence uma distância vertical de 50 metros, é pontuado por mirantes – plataformas em balanço sobre a mata, capazes de colocar o visitante em contato com a paisagem numa escala mais ampla.
O sistema construtivo dessas intervenções teve como premissa viabilizar o transporte e a montagem de peças leves, que puderam ser levadas pela mata e montadas no local.
A consolidação das bordas
Diante da pressão sofrida pela expansão das ocupações situadas no perímetro, que avançam continuamente sobre a área de proteção ambiental, a construção dos percursos internos associou-se à consolidação das linhas de divisa entre o Parque e as suas bordas. Esta fronteira, desenhada com alambrados leves, permite ampliar o contato visual entre o Parque e as casas do perímetro, fazendo com que as janelas das habitações possam contribuir (com o seu “olho na rua”) para a governança interna do Parque. Esta linha de divisa é leve o suficiente para que não se configure, simultaneamente, como parte das construções perimetrais. A sua disposição em meio às áreas de plantio permite que a fronteira seja tomada pela vegetação, tornando-se ela também parte integrante do parque.
O Parque Fazenda da Juta configura-se simultaneamente como reserva natural, espaço de fruição pública e articulador dos caminhos que cruzam o bairro, e a sua inauguração constitui um marco na construção de uma coexistência possível entre cidade e natureza.